Ficção científica discute identidade de gênero sem perder autenticidade

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Publicado em 16.03.2016

O seriado Sense8 conquistou 69% de aprovação do público e já teve a segunda temporada confirmada

Das mesmas criadoras de Matrix, o seriado original da Netflix, lançado no dia 5 de junho de 2015, tem viciado espectadores do mundo inteiro com uma história incomum sobre ficção científica e drama. Oito pessoas, com cultura, religião, costumes, sexualidade e idiomas completamente diferentes estão conectadas entre si de uma forma inexplicável. Juntos, mas em partes diferentes do planeta, eles se comunicam, sentem o que outro sente, adquire habilidades que antes não tinham e se tornam mais fortes, tanto fisicamente quanto psicologicamente.

 

Exclusiva do serviço de streaming, mesmo não tendo os dados de audiência divulgados pela mesma, o número de downloads ilegais da primeira temporada chegou a mais de meio milhão, em três dias depois do lançamento. E teve 69% de aprovação do público, segundo o site de críticas americano, Rotten Tomatoes. Resultando em um sucesso surpreendente, que não acontecia desde a estreia da trilogia mais famosa das irmãs Wachowski*. Mas, quando se pensa em uma criação delas, não dá para esperar algo simples ou menos complexo. A segunda temporada foi confirmada, de forma intrigante, na mesma data de nascimento dos protagonistas, dia 8 de agosto, e ainda não tem previsão de estreia.

 

Se contar a história de um protagonista já é complicado, imagine de oito? Sim, todos tem sua importância e destaque para o enredo. Sun, a empresária e lutadora que vive em Seul. O queniano Capheus, motorista, fã de Van Damme, que faz de tudo para garantir a saúde da mãe, portadora do vírus HIV. Riley, uma DJ islandesa que toca na noite de Londres. O policial certinho, Will, que mora em Chicago. Wolfgang, um mafioso alemão, especialista em arrombar cofres. A ativista, hacker e transexual Nomi, de São Francisco. Lito, um famoso ator mexicano e a indiana Kala, farmacêutica que se encontra a beira de um casamento arranjado. Eles não têm nada em comum, mas estão ligados de uma forma extraordinária.

 

De primeira não dá para entender como é possível se afeiçoar por cada um deles, em um seriado de apenas 12 episódios. No entanto, é garantido, que além de se encantar por suas histórias também ficamos viciados com toda conexão que vai surgindo entre os sensitivos (são assim que os membros do grupo são chamados). Vamos entendendo o drama pessoal de cada um aos poucos, e isso pode ser muito cansativo para alguns, mas totalmente excitante para outros. A personalidade dos personagens protagonistas é bem consistente e as relações com os outros secundários não são comprometidas, muito pelo contrário, eles também possuem um papel fundamental para a trama.

 

Sexualidade e identidade de gênero

 

 

Um fator evidente, logo no episódio piloto, é a intenção das diretoras em investir na luta LGBT. Temos uma ativista transexual lésbica como protagonista inserida em uma das tramas mais envolventes de todo seriado. Por outro lado, também temos um ator famoso que não sai do armário com medo de arruinar sua carreira. Em quanto um luta, o outro se esconde, e essa dinâmica traz grandes reflexões para o espectador. Os assuntos polêmicos e as cenas de sexo são tratados com naturalidade, mas ainda assim causam estranheza para quem não está acostumado.

 

Curiosamente, a trama fictícia muito se assemelha a vida real das criadoras. Em 2008, o então irmão Larry Wachowski, decidiu revelar-se uma mulher transgênero, atendendo pelo nome de Lana. Ela que nasceu com o sexo masculino, se transformou em mulher, mas gosta de se relacionar com outras mulheres, ou seja, Lana é uma mulher transgênero lésbica, igual a protagonista de Sense8, Nomi.


E não para por aí, no inicio de março de 2016, seu irmão Andy Wachowski também assumiu sua identidade como mulher transgênero, em um depoimento comovente ao jornal americano, Windy City News. Por isso, agora atendem pelo nome Lilly e Lana Wachowski, ou as irmãs Wachowski.


Confesso que algumas cenas do seriado são desnecessárias para compreensão da história em geral, mas elas preferiram tratar desse tema de uma forma única. Isso choca a sociedade? Sim! Mas os homossexuais, transexuais, lésbicas, gays e bissexuais também precisam ter sua luta e posição social retratada em grandes produções. O enredo homossexual ganha mais destaque quando se coloca um ator relativamente conhecido como gay, no caso, o mexicano Alfonso Herrera, que estourou na novela teen Rebelde.

 

Deslizes perdoáveis

 

 

A produção e fotografia de Sense8 estão impecáveis. Uma salva de palmas para a introdução incrível que fizeram. Unir imagens reais de várias partes do mundo para mostrar os lugares onde os sensitivos vivem foi uma ideia mais do que certa. No entanto, poderia ter um tempo menor de duração, (acredito que eles acharam tão legal que não quiseram cortar nem um trecho) são três longos minutos de introdução, que poderiam facilmente ser diminuídos.

 

As ambientações também são fantásticas. E diferente do que se imagina, não usaram efeitos especiais ou chroma key, as cenas foram filmadas simultaneamente em oito cidades (Chicago, San Francisco, Londres, Berlim, Seul, Reykjavík, Cidade do México, Nairobi e Mumbai), ou seja, os cenários são reais e todos os oito protagonistas precisaram está presentes nas gravações espalhadas pelo mundo. Mas o que surpreende de verdade é o trabalho de dinâmica de câmera realizado pela produção. O momento que os oito interagem entre si é de uma leveza ímpar. Ao mesmo tempo em que estão na Coréia do Sul, conseguem está também no Quênia, os cortes e os movimentos de câmera foram certeiros em cada detalhe.

 

Classificado como ficção científica, Sense8 trata mais das questões pessoais e dramas internos dos personagens do que da própria ciência. As explicações são rasas demais, mas como estamos "apenas" na primeira temporada, dá para esperar um trabalho mais profundo a esse respeito.

 

O último episódio foi, de longe, o melhor em todos os aspectos. As cenas de ação, a transição de câmeras, a integração dos personagens e os diálogos foram de tirar o fôlego. O momento final conseguiu ser ao mesmo tempo um encerramento de ciclo, não necessitando de uma continuação, como uma ponte para novas temporadas.

 

No geral, Sense8 pareceu ser mais um extenso filme de sucesso das Wachowski, pois não dá para ver apenas um episódio. É contagiante, excitante, interessante e contraditório, sem ser chato. Foge do óbvio, mas ainda possui alguns clichês próprios das diretoras, sem contar na semelhante recorrente com O Destino de Júpiter e Matrix, onde ambos fazem uma crítica a sociedade atual e discutem sobre realidades alternativas.

 

*Em março de 2016, Andy Wachowski assumiu sua identidade como mulher transgênero e passou adotar o nome de Llily. O mesmo havia acontecido com Lana, que em 2008 atendia pelo nome masculino de Larry. Desde então, os criadores de Matrix e Sense8, agora são as criadoras, as irmãs Lilly e Lana Wachowski.

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