Consequências e soluções para um relacionamento abusivo

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Publicado em 17.04.2017

Entenda como uma identificar uma relação doentia e de que forma ela pode afetar a vida das pessoas

Intimidação, gritos, dedo no rosto, ameaças, humilhações. Não precisa chegar ao contato físico para perceber que foi agredida. E isso acontece dentro de muitos relacionamentos por aí. O companheiro que deveria cuidar, respeitar e encher de carinho, justifica comportamentos explosivos colocando a culpa no outro. Todo relacionamento tem brigas, mas o que não pode acontecer é agressão.

 

Existem momentos que nos exaltamos, falamos alto e até gritamos com a outra pessoa. Muitas vezes saímos do sério e perdemos o controle, mas daí a partir para humilhações e agressões verbais, a coisa muda de figura. Pode até haver pirraça, instantes de pura implicância e irritação, no entanto, nada justifica tratar o outro de forma deplorável. Nada explica um tapa, um empurrão ou palavras de degradação.

 

A psicóloga Nayla Lima explica que um dos traços mais predominantes de um relacionamento abusivo é o excesso de poder. “Geralmente começa de forma sutil, sendo mascarado em forma de cuidado excessivo ou um ciúme, e isso afeta a capacidade da mulher em se perceber como vítima e discriminar a situação de violência na qual ela vive”, destaca.

 

Ou seja, o indivíduo é possessivo, tem ciúmes de tudo, controla todas as ações e decisões da companheira, a impede de fazer amizades e insiste em manter relações sexuais e ela apenas pensa que ele está sendo cuidadoso e só é assim por amá-la demais. Essas atitudes são apenas o ínicio de um relacionamento que só vai trazer consequências ruins.

 

Autoconhecimento

 

 

Nayla ainda orienta para que as mulheres, e até homens, que estão em uma relação assim, repararem nos limites do relacionamento, até que ponto o ciúme está sendo saudável, até onde vai a liberdade, as pressões psicológicas, manipulação, deve-se questionar se tais atitudes têm causado desconforto ou mal-estar. Se começou a se sentir diminuído, feio, incompetente e percebe que sua autoestima é destruída pelo parceiro o tempo todo, se sente medo de como seu parceiro irá agir, sempre faz o que seu parceiro quer que você faça sem se importar no que você quer. Além disso, a profissional afirma que relacionamentos assim podem acarretar males piores, como depressão e doenças psicossomáticas.

 

É de ficar horrorizada ao se deparar com campanhas e hashtags que apoiam Marcos Harter, um cirurgião que participou da 17ª edição do reality show Big Brother Brasil (BBB). Ele e, até então, sua namorada, Emily Araújo nas últimas cenas protagonizaram, em rede nacional, cenas terríveis de agressão psicológica e física. A maioria do público notou que aquilo não era normal, mas a outra parcela tentou justificar as atitudes do Marcos. “Mas ela vivia pirraçando ele”, “Ela também tirava ele do sério”, entre outras. E a própria Emily, até hoje, afirma que ele nunca teve a intenção de machucá-la.

 

O pior disso tudo é quando a vítima não enxerga a situação em que se encontra e mesmo que outras pessoas a alertem, ainda assim não notam o que tem vivido. “Muitas vítimas não conseguem perceber a violência sofrida nesses relacionamentos, isso porque a sociedade insiste na culpabilização da vítima, as mulheres que vivem nessa situação se questionam se esse abuso teria sido por culpa delas ou se o parceiro de fato é assim”, esclarece a psicóloga.

 

E qual a solução? Essa cegueira pode ser curada quando a pessoa desenvolve um autoconhecimento. Possa ser que para isso seja preciso a ajuda de um profissional ou de amigos e família. A própria pessoa tem que perceber o que realmente te faz bem, o que de fato a deixa feliz e só assim poderá entender o que é um relacionamento saudável.

 

 

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