Solteiras provam que felicidade vai além dos relacionamentos

27 / 07 / 2016

Psicóloga enfatiza sobre a importância de aproveitar o período fora de uma relação e mulheres contam suas experiências na solteirice

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É impossível ser feliz sozinho… Já dizia Tom Jobim. E é cada vez mais comum o apelo social da felicidade associada a relacionamentos, tanto no círculo de amizades quanto na família. Questionamentos como “Cadê os namoradinhos?” e “Vai ficar para titia, é?”, trazem desconforto, especialmente, para as mulheres. Mas, será mesmo que a verdadeira felicidade é alcançada apenas em uma relação a dois? A psicóloga Nayla Lima explica que não só é possível ser feliz sem um companheiro, como também é necessário ter um momento consigo mesmo.

 

“Essa noção de estar solteira e infeliz vem sendo desconstruída e as pessoas veem tomando consciência disso. O que muitos solteiros pensam, principalmente as mulheres, e a sociedade acaba reforçando, é que somos seres pela metade e dependemos do outro para sermos completos”, enfatiza Nayla.

 

Em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2004 e 2014, a taxa de casamentos entre homens e mulheres caiu de 86,3% para 76,4%. E, entre as mulheres, a faixa etária para casarem subiu de 23 para 27 anos. A advogada de Porto Alegre, Bruna Caporal, acentua essa estatística. Ela tem 33 anos, está solteira há quatro e diz que, apesar de nutrir o sonho de casar e ter filhos, com o passar do tempo sua perspectiva de vida mudou. “A solteirice acostuma. A gente acostuma com a nossa casa, as nossas coisas, os nossos momentos e é bem complicado pensar em mudar isso. As nossas prioridades mudam muito também. Hoje eu tenho muito foco em adquirir bens que me permitam um conforto e me deem segurança, como casa própria por exemplo”, detalha Bruna.

 

A ascensão na carreira profissional e mais espaço no mercado de trabalho são fatores que contribuem para as mulheres se sentirem bem sozinhas e deixarem de alimentar a obrigação imposta pela sociedade de estar casada ou em um relacionamento estável. Em 2015, o IBGE constatou que há, atualmente no Brasil, 70 milhões de pessoas solteiras, na idade de 20 a 45 anos. A preferência pela solteirice, e consequentemente por morar sozinho, é vista como tendência mundial. Segundo dados divulgados pela revista IstoÉ, em janeiro desse ano, só em Nova York 50,6% da população vive só, enquanto na Inglaterra 30% opta pela moradia solitária.

 

Relacionamentos abusivos contribuem para solidão

 

 

A psicóloga Nayla reforça ainda que a felicidade não pode ser submetida ao outro e sim pela própria pessoa, trazendo à tona um fator preocupante. “Algumas mulheres entram em relacionamentos em busca de encontrar a felicidade e em muitos casos isso é um grande problema. As possibilidades de se decepcionar e criar expectativas não supridas é grande, principalmente se estiverem em algum tipo de relacionamento abusivo por medo da solidão”.

 

A estudante de Direito, Carolina Benatti, tem 21 anos e mora em Campinas, São Paulo. Ela relata que namorou apenas uma vez e acredita que uma pessoa só pode ser feliz com alguém, devido a autoestima baixa e pressão externa. “Sempre achei que nunca ia conseguir ninguém e quando eu namorei foi a única vez que me senti bonita e interessante. Todo esse tempo solteira só me senti mal, criei uma ideia de que só quem namora tem valor”, dessabafa. Como conselho, Nayla diz: “Estar solteira não deve ser encarado como um fracasso, mas deve ser visto como uma etapa no processo de amadurecimento e autoconhecimento”. A profissional frisa algumas dicas para não se sentir tão solitária nessa fase. “É importante aprender a se amar, com seus defeitos e qualidades, para aprender a amar o outro, e a fase da solteirice é um bom momento para praticar isso”, orienta.

 

A empresária paulista, Mariana Tomazelli, que aos 33 anos se considera uma eterna solteira, também apresenta a mesma adversidade. Ela menciona que já teve diversos relacionamentos, mas nada considerado namoro, pois tem dificuldades de aceitação e, assim como a estudante Carolina, baixa autoestima. “Tenho medo de me relacionar com alguém só para deixar de ser solteira e acabar tornando minha vida um saco. E apesar de isso me incomodar um pouco eu não paro, não deixo de sair, de querer ter uma vida normal e de curti-lá”, completa Mariana.

 

Com a responsabilidade de combater a solidão, mostrando que dá para ser completo e feliz tando fora quanto dentro de um relacionamento, uma ação é realizada todos os sábados, às 15h, no Brasil inteiro. Chamada de “Conexão Força Jovem - Você não está sozinho”, a reunião é voltada principalmente para a juventude, com o objetivo de reverter o sentimento de melancolia e desânimo, que acomete, na maioria das vezes, jovens solteiros. 

 

Motivos para aproveitar

 

A fase de solteira é para aproveitar, curtir e viver cada momento com intensidade. Como sinônimo de total liberdade, a estudante de Londrina, no Paraná, Laura Brigette, transmite como é estar solteira. “É tão libertador ir à um lugar, aproveitar a minha própria companhia, apreciar o local, as pessoas, e quando me sinto um pouco só, geralmente quando estou na TPM, chamo uma amiga pra sair e já resolve”, revela. Com 19 anos, Laura ressalta que não trocaria a solteirice por qualquer garoto. “Tem que valer muito a pena pra eu trocar de status”.

 

Já a advogada Flávia Monjardim, de Vitória, Espírito Santo, apesar de ter vivido pouco tempo como solteira afirma que ama ficar sozinha. “Ainda hoje sou apaixonada pela minha própria companhia, faço questão de continuar indo ao cinema sozinha, porque isso me faz feliz”, esclarece. “Pra mim o segredo é esse: se bastar! Nunca se anular, seja sozinha ou em relacionamento”, finaliza.

 

Isabel Tavares

Jornalista e escritora, faço desse espaço um ambiente único para inspirar pessoas de todas as idades, por meio de reportagens, e-books, artigos e entrevistas com conteúdos exclusivos. Contato: isabelttavares@gmail.com.

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