Trama épica emociona com mensagem de perdão e redenção

08 / 01 / 2017

No filme Ben-Hur, o coadjuvante ganha destaque principal tirando o peso do enredo de guerra e destruição

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A releitura do premiado clássico, vencedor de onze estatuetas do Oscar -  inclusive de melhor filme, ganha os cinemas 56 anos depois. Ben-Hur mostra a vida do jovem Judah Ben-Hur (Jack Huston), um nobre de Jerusalém, que é escravizado pelo próprio irmão Messala (Toby Kebbell) e volta em busca de vingança. A trama de Timur Bekmambetov, lançado em agosto de 2016, tem como pano de fundo a invasão do Império Romano às terras israelitas e os três anos em que Jesus Cristo cumpriu o seu ministério na Terra.
 
Ainda que a premissa possa parecer um filme histórico de poder e guerra, Ben Hur, logo nos primeiros minutos, não deixa claro sua real intenção, concentrando-se apenas no drama de Judah, que deveria ser o protagonista. A maior parte do enredo é centrado nele, suas intenções amorosas, a família, os laços de amizade e o sofrimento que viveu por cinco anos como escravo, sendo usado com remador de navios de guerra. Todos aqueles anos vivendo no porão sujo em circunstâncias inumanas, sem saber notícias da esposa e da família, se manteve vivo apenas para se vingar de quem lhe causou tamanha dor. Aquele que outrora foi seu melhor amigo e irmão, ainda que não de sangue.
 
O carpinteiro Jesus (Rodrigo Santoro), tido simplesmente como coadjuvante, aparece, de fato, poucas vezes durante todo o longa. Mas não é a sua figura, e sim, a sua presença sob pano de fundo, que proporciona profundidade para o filme. O personagem bíblico (e real) não precisa ser apresentado para o público, nas primeiras cenas em que surge sua serenidade e palavras edificantes falam por si só.
 
Apego nos momentos de dor e solidão
 
 
Judah ao ser levado como escravo deixa sua esposa Esther sozinha, sem família, sem casa, sem marido e sem sustento. Ele não sabe se ela conseguiu sobreviver ao massacre dos Ben-Hur, enquanto ela nem sequer imagina que ele esteja vivo em algum lugar. A dor e o desespero a impulsiona a seguir as palavras de consolo e esperança originárias daquele que nunca foi ninguém para os moradores de Jerusalém, apenas um simples carpinteiro. Esther passa a seguir os passos de Jesus, ajudando os necessitados e servindo os que mais precisavam.
 
No primeiro reencontro com o amado é inevitável não falar d’Ele, que com simples atitudes transforma toda uma situação. Por outro lado Judah encontra-se perdido e determinado unicamente em matar a sede por vingança. Ele em nenhum momento consegue enxergar outra opção e nem o amor da esposa o faz desistir. O amor humano realmente não opera grandes coisas, se é que exista esse tal amor carnal.
 
O perdão que transforma
 
 
O ódio e a mágoa só fazem mal aos que o nutrem, enquanto quem lhe causou esses sentimentos vivem tranquilamente. Isso é visto de forma clara com Messala e Judah. Foi Messala que traiu o irmão, condenando-o junto à morte, junto com toda a família. No entanto, logo depois seguiu como se nada tivesse lhe acontecido e se tornou ainda mais reconhecido pelo seu comandante e por Pilatos. Já Judah alimentou a raiva, o ódio e o desejo de vingança por longos anos, ocupando seus pensamentos apenas nos momentos que lhe causava mais dor.
 
Demorou um tempo e ele finalmente obteve o que achava que tanto queria. Aprendeu a corrida de bigas e além de humilhar Messala, quase o matou. Mas foi só quando achou que teve o que desejava, notou que ainda estava vazio.
E eis que surge o coadjuvante que exerceu o papel central em Ben-Hur. Jesus em seu caminho no Gólgota recebeu a ajuda de Judah, que na verdade foi ajudado por Cristo sem ao menos esperar. Em rápidos minutos, da ida até o Calvário e entrega da vida na cruz, aprendeu sobre amor, perdão e família.
 
Antes Judah já tinha se encontrado com Jesus e sua esposa também tinha lhe falado do Mestre, mas foi só nos últimos instantes da vida de Cristo que se redimiu, compreendendo todo o erro que havia cometido na vida.
Santoro emociona no papel de Jesus Cristo, passando a principal mensagem do filme. Os frames finais de Ben-Hur concretizam o objetivo do mesmo. O valor do perdão, da família e sobretudo da fé.
 
 

Isabel Tavares

Jornalista e escritora, faço desse espaço um ambiente único para inspirar pessoas de todas as idades, por meio de reportagens, e-books, artigos e entrevistas com conteúdos exclusivos. Contato: isabelttavares@gmail.com.

Tags: artigo, filmes, perdão, amor, vingança, guerra