Valores que ultrapassam os lucros

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Publicado em 29.02.2016

Empreendedorismo de impacto social e capitalismo consciente levam empresas a fazer o bem e contribuir positivamente para a sociedade

Imagine um mundo onde o dinheiro fica em segundo plano. Uma sociedade que tem como princípio compartilhar e fazer o bem. Empresas que investem em agregar valor aos consumidores. Agora, acredite que isso é possível e o primeiro passo já está sendo dado em diversos lugares do mundo, inclusive no Brasil.


Trata-se do Capitalismo Consciente. Você já ouviu falar? O modelo de gestão nasceu há cerca de 10 anos nos EUA por meio do professor de marketing Rajendra Sisodia e o empresário John Mackey, tendo como propósito gerar prosperidade de forma humanizada, mostrando aos empreendedores que é possível ir além do lucro e adotar uma forma mais responsável de fazer negócios.


A base do movimento é dividida em quatro pilares: Propósito – criar valores que ultrapassam o lucro; Cultura – desenvolver uma relação de confiança entre a equipe da empresa; Liderança – buscar o melhor dos colaboradores e Orientação – mantém todos informados sobre os resultados da empresa, promovendo engajamento.


A maior rede mundial de produtos orgânicos, Whole Foods, do próprio John Mackey, ensina aos consumidores a se alimentarem de forma saudável, enfatizando que o principal objetivo do Capitalismo Consciente é apresentar as pessoas uma razão maior para lucrar.


Existem diversas empresas espalhadas pelo mundo que abraçaram o movimento. A grife Patagonia, do alpinista Yvon Chouinard, combate o consumismo fabricando roupas mais duradouras para a prática de esportes de aventura. O empresário acredita que a alta durabilidade das peças fará com que seus clientes não precisem comprar muitas vezes.


Consciência brasileira

 


No Brasil, a iniciativa começou em 2013 através do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, formado por um grupo de 20 executivos fundadores, uma diretoria estatutária, um conselho de executivos, um grupo de pessoas físicas apoiadoras financeiras, voluntários, conselheiros "aposentados", comitês de trabalho e patronos, que contribuem financeiramente.


Pensando além da lucratividade, um publicitário baiano, inspirado pela atuação das empresas conscientes nos EUA, onde graduou-se, decidiu criar um negócio com a mesma finalidade. Ele se juntou com um amigo, também publicitário e nasceu o movimento Euzaria.


Kiko Kislansky e o sócio Zé Pimenta surgiram com a ideia de comercializar t-shirts com alma, no final do ano de 2014. Em fevereiro do ano seguinte fundaram a Euzaria e para cada compra realizada, automaticamente, outro produto é levado para doação. “Resolvemos abrir um negócio que fosse empresa e ao mesmo tempo solidificasse o conceito do Capitalismo Consciente aqui no Brasil, além de contribuir para minimização das desigualdades que tanto nos rodeia”, esclarece o publicitário Zé Pimenta.


A empresa que começou apenas com camisetas vendidas pela internet, agora possui uma loja física localizada no Shopping Paralela, em Salvador, com um mix de seis produtos, incluindo calçados, quadros, canecas, óculos de sol e skins para celular, todos exclusivos e com design único. O objetivo é aumentar essa cartela de acordo com as necessidades das pessoas, como explica Pimenta. “Muitos deles surgiram por conta do nosso segundo cliente, a pessoa que recebe o presente na rua, sabe? Por exemplo, quando levamos as t-shirts eles pediam sapato, ai surgiu à ideia de cada alpargata vendida, uma alpargata doada. Depois começamos com as doações de refeições na rua, ai pediam água pra "ajudar a descer o rango", criamos então às canecas, onde, a cada caneca vendida, águas potáveis são doadas nas ruas e assim vai. Existem muitas necessidades nas ruas, é só abrimos os olhos e pronto, surge um produto que pode ajudar a amenizar um problema. O céu é o limite”.


A Euzaria também realiza diversas ações solidárias, como o “Jantar na Rua”, onde foram doadas mais de 2.500 refeições em parceira com restaurantes. Cerca de 6 mil pessoas já foram impactadas pelo projeto durante o primeiro ano de atuação. “Já fomos a mais de 30 instituições sociais e nosso desejo é impactar cada vez mais pessoas e amenizar as suas situações”, comenta o empresário que se autointitula “criativo transgressor”.


Empreendedorismo de impacto social

 


“O que os empreendedores querem, geralmente, é cumprir uma missão e causar algum impacto no mundo. Isso é o que chamamos de propósito maior do negócio e é a base do capitalismo consciente. As empresas que buscam fazer a diferença são as que, no final das contas, acabam tendo um desempenho melhor e mais lucro”, analisa o professor indiano e fundador do movimento, Rajendra Sisodia, em entrevista para a IstoÉ Dinheiro.


Com essa perspectiva é levantada a bandeira do empreendedorismo de impacto social, que visa levar solidariedade e benefícios para a sociedade como um todo. “O problema não está no lucro, mas em o que as empresas fazem para conseguir esse lucro e o que fazem com esse lucro. Somos uma empresa capitalista, mas com um propósito além do lucro. Vendemos produtos que geram benefícios sociais”, pontua o co-fundador da Euzaria.


É o conjunto de atitudes simples que fazem a diferença no mundo e sendo algo inovador as ações do Capitalismo Consciente criam estímulos para as empresas que desejam ir além. É exatamente esse o desafio enfrentado pelos fundadores da Euzaria. “A gente brinca às vezes: ‘Vamos fazer isso mesmo?’ ‘Vamos ver o que tal empresa fez...’ E essa tal empresa não existe, porque ainda não foi feito. Acho que esse é o maior desafio. Os demais a gente vai superando juntos, em família e com muito amor”.

 

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